terça-feira, 25 de maio de 2010

Loucura

Não, não sei bem o que sou
Talvez a loucura esteja mais presente em mim
Que a genialidade das palavras
Talvez não haja nem loucura
Nem genialidade, nem nada
Talvez seja mais louca que poeta
Mais confusa que esperta
Mais perdida que certa
Nem a dúvida me resta.
Talvez enquanto me confundo
Nesta procura por algum não vazio existencial
Minha loucura esteja em festa
Feliz por me fazer mal
Tão perto que nem demonstra
Fazer parte de meus ideais
Tão tímida que nem transparece
Que já não articulo idéias normais
Que pareço ser da Lua
Quando estou na Terra
E um ser sem terra
Quando estou na Lua.
Talvez meus ápices de insanidade
Sejam fase de transição
E eu esteja condenada a viver
A viver minha alucinação.
Ou pode ser que não esteja
Em transição alguma
Nunca fui sã.
Nenhum pingo de lucidez.
Anormalidade vã,
Louca,doida de vez.
Louca,louca!
De normalidade pouca
Vista fraca,voz rouca
Razão frágil,pouca roupa
Poucos dentes dentro da boca.
Não sei bem o que sou
Talvez eu seja poeta
Talvez seja poeta por ser doida
Ou louca por ser poeta
Não sei.
Mas se for tudo loucura
Imploro em condição singela
Que a amiga Poesia
Sirva-se completamente dela.

sábado, 22 de maio de 2010

Procura-se

Procura-se desesperadamente por pessoas interessantes
Veja bem, não procuro por meus semelhantes
Talvez seja eu não mais que poetisa entediada
Que não enxerga nas gentes das ruas
O brilho no olhar, a força das palavras
Que anseia por quem possa ensinar
O melhor ângulo para observar o luar.
Procuro ansiosamente por pessoas
Que tenham idéias inspiradoras
Sobre musicas, letras e casas
Que já tenham observado o céu
E sua infinidade de cores
Desde o chumbo pesado sobre as cabeças
Até o cor de rosa dos amores
Ou o laranja – flor das auroras
Procura-se agora
Por gente interessante
Gente inteligente,gente que seja gente
E não corpos sufocados pela rotina.
Ah, é lamentável essa condição
Não é que o brilho dos olhares morreu
Ainda existem os amantes dos luares
Mas diante do desencanto das ruas
Fugem para o conforto de seus lares
Estão lendo, amando, cantando
Quem sabe poetizando
Longe, distante,cada um em seu canto.
Procura-se por gente intensa
Já não sei onde as buscar
Talvez em abrigos subterrâneos
Debaixo das ondas do mar
Vou bater de porta em porta
Anunciando a busca por essa afinidade de alma.
Procura-se por pessoas envolventes
Para partilhar lições de vida
Gente que saivá viver
Seja triste, amante, divertida
Que ouça músicas onde ninguém pode escutar
Gente que seja movida a alma
Teoria da força vital
Gente que seja criação humana criação divina
E não produto do sistema capital.
Anseia-se por pessoas normais
Para dividir a preciosidade individual
Nossos sonhos, nossos ideais
Procura-se pela utopia dos poetas
Para viver no mundo real.

sábado, 15 de maio de 2010

Cartão Postal

Você, que mora aqui ao lado
Casa próxima ao meu quintal
Com quem eu converso pela janela
E cujas palavras estendo em meu varal

Sei que vai embora, sei que está de partida
Para a capital de sua vida
Onde os ventos são melhores
As casas maiores, os quartos emboscadas
E as mulheres convite de entrada

Quando chegar a sua capital
Depois que as promessas ficarem para trás
Ao menos me envie um cartão postal.

Sei que logo vai partir
Partir de mim, sair daqui
Correr, voar, fugir
Para a cidade dos sonhos seus
Os mesmos sonhos que construiu aqui
Ao meu lado, em meu quintal.
Cantando para eu dormir.

Sei que quando for não voltará
Sei que por lá se enterrará
Sei que eu vou ficar
Esperando sua chegada
Chorando de madrugada
Sofrendo, passando mal.
Tentando me reerguer
Esperando seu cartão postal.

Meninas Capital

Veludos, sedas, meias e saias.
Vestidos tecidos em gordas fábricas
Vão vestir os corpos de meninas pálidas
De corpos e cabeças magras.

Pernas e minissaias desfilam
Nas ruas do império central
Cada porta é convite real
Leva um brinde quem levar mais

Não se pode levar algo para casa
Sem deixar algo se si
As cabeças de química enfeitadas
Mal discutem por quanto foram trocadas.

Ah, meninas das vilas capitais,
Quisera eu embrulhá-las
Nas fitas de suas saias
E na parede do império enquadrá-las
Num quadro seriam mais notadas.

As ruas e as gentes.

As ruas longas e ensolaradas
De pedras e gente banhadas
Parecem-me uma tela desenhada
Há anos, há décadas passadas.

O céu , meio azul sem cor
Onde a vida está estampada
A mim parece preso em vidrilhos
Tão distante como ruas ensolaradas

E as pessoas que circulam
Vão, vêm, voltam, chegam e param, vão embora.
São pessoas de faces enroladas
Em faixas de seda gasta.

Ah, esse pressente tão perto de mim,
Parece-me mais próximo ao fim
Distante de mais a meu ver
Perto demais para entender
Confuso de mais para eu viver.

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Eco, e-co, e-c-o
Ecologia, ecoturismo
Ecologia, estudo do eco
Eco turismo, passeio pelo eco
Eco, e eu com isso?
Eco ,caminho de duas vias,
Nunca presenciei o caminho da volta
Se meio eco não consiste
Eco não existe
Nada volta de onde veio
As coisas vão e se perdem no tempo
As juras mal saem da boca
E se perdem logo ao vento
Eco, há algo em seu caminho
Estão fazendo barragens para sua passagem
Passagem de volta é mais cara, eco
Eco, volte de bicicleta.
Eco, se não conseguir voltar.
Não saia eco, não saia!

Poesia particular

Quantas vezes fiquei com a palavra presa na garganta
Não pelo medo,mas pela certeza
De que a palavra seria minha sentença de monte
Te amo dentro de mim,e aqui não é silencio.

E quantas vezes não quis desafiar o tempo,
E ultrapassar minha maneira de pensar
Se te amo, se te quero comigo
Não quero,não posso demonstrar

E se poesia é o amimus transcrito
Como poderia os versos meus te mostrar?
Mesmo pensando em você
Minha poesia é particular

E esse meu mundo infinito
Que criei para sustentar minhas teorias de amor por ti
Talvez esteja restrito
Talvez você não possa entrar,e eu sair,
Sem um de nós dois se ferir.

Vinho tinto

Viva o bom vinho!
Que ameniza o amor!
O vinho é mais doce
E têm melhor sabor.

E que estranha semelhança
Vinho tinto é de vermelha cor
Cor de boca,cor de sangue
A mesma cor do criminoso amor.

Mas mil vezes um copo de vinho com queijo
De que o sabor de teu beijo
Mil vezes o bebida dos deuses
Do que a perdição dos homens

Amar é se embriagar para sempre
O vinho tinto cura a dor
Que o vinho seja sempre
O consolo para o amor.

Pois nessa irônica vida
Não podemos desviar da paixão
Ao menos aliviemos o pranto
Com um copo de vinho na mão.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Você

Você foi o único começo que eu quis que não tivesse fim
E o único final que não fez sentido para mim
A única pessoa que passa na rua e me faz sentir
Como em tela descolorada, lembrança colorida, que um dia foi apagada
Você, de meus amores, foi que mais me trouxe dor
E o único que me fez acreditar na palavra amor .
O único amanhecer que me fez sentir saudade da noite
A noite em claro mais bonita
A noite mais longa de minha vida .
Você, o único olhar cor de aurora, o beijo com gosto de amora
O único que me fez sua senhora
Você foi o meu mais intimo segredo,meu maior erro, o que eu mais insisti.
Você foi o meu melhor engano,meu maior plano,o único do que não desisti
Você foi minha única tristeza, a mais frágil fortaleza, a única que não destruí
Você foi minha esperança,a única tentação a qual não resisti
Você foi a lembrança mais viva, a mais cativa, a que não esqueci
Você foi o único que me fez amar
Você foi o único que sempre será.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Se as róseas flores se esvaem
Deixando um vazio na paisagem das praças
E depois voltam no ano seguinte
Só para dar o ar da graça

Não há nada que não seja banalizado pela vida
Não há nada que o tempo não torne vão
A própria vida leva nossas esperanças
Para depois encher de sonhos nossos corações

Não se pode acreditar na prosperidade
Sem se deixar levar pela ilusão
O que é prospero depois se encarrega
De tornar-se decepção

Não, não há nada que seja tão eterno
Quanto a nossa expectativa de que o seja
E a maravilha não está na conquisa
Mas na força com que se almeja

E a vida vai assim nos moldando
Alguns são empurrados,outros esvaecem
Mas no final , não há como negar
Que os sonhos não são tão nobres quanto parecem

segunda-feira, 29 de março de 2010

Poesia

Se queres ler minha poesia
Não a leias com a disciplina literária
Entediante, inútil e inválida
Que insiste em analisar o ianalizável
E criar muros para trancar a alma
Ao criar regras para as palavras

Se queres ler minha produção poética
Peço que não faça dela uma análise cética
Pois não se metrifica o que se cria
A partir da alma da poesia
E não se pode classificar,listar,padronizar
O que nem eu sei significar

Se queres ler minha fantasia
Não penses que existe no plano literário
Pois poesia é filha da alma
E doce fruto do imaginário
Que seca ao ser enquadrado
Ao rigor dos padrões arbitrários.
Ah, não se engane ,caro leitor
Não se deixe enganar pela doutrina da poesia
Assim como os poetas condenadamente
Deixam-se enganar pela vida

Os versos tristes do poeta
Não são frutos do eu lírico
São a própria alma que se aperta
Escapando para o plano escrito

As palavras que ao serem lidas
Trazem dor,tristeza,emoção
São excreções inflamadas
De feridas do coração

Se doem ao serem lidas
Para os sem interesse e afinidade
Ao nascerem, imagine
Quão maior sua intensidade

Ah,não se engane com a desculpa da arte
Pois não existe arte de fingir arte e dor
Tudo o que é escrito é vivido
Sentido e remoído pelo autor

O poeta á aquele que sofre
Às vezes sem motivo pra chorar
Além da tristeza da vida
E da loucura de amar.

O poeta passa pela vida.
Mendigando em estado de coma
Seus versos são seus últimos suspiros
E a desilusão seu único sintoma.


O poeta, caro leigo leitor,
Vive para fugir da vida
E nesta subsistência adquiria
Ele não vive, poetiza.
Não há saída para o amor
Aquele amor dos apaixonados
Que surge como um riacho
De águas claras e limpas
Nas quais todos querem se banhar
Mas depois surgem as ondas
Que no amor vem trazer
O tormento da vida

Não há remédio para o amor
Aquele amor dos desesperados
Que consome campos vastos
Desidrata fontes,seca pastos
Sem fazer nenhum sentido
Sem pudor e sem motivo.

Não há o que justifique o amor
Aquele que destrói a integridade
Que invalida todas as verdades
Em nome de um nada sem valor
Que algum chamam de amor
Mas eu, indignado,
Eu o chamo de diabo
Maligno é o amor
Que nos afoga em feridas
Sufoca as esperanças
Da dignidade nos priva
E desconcerta a vida.

sábado, 6 de março de 2010

Dia de Sol e Chuva

Estou feliz como num estranho dia
Em que pela manhã o sol irradia
E depois chove pela noite adentro
Mas a tarde chove e faz sol ao mesmo tempo.
Não sei se a tristeza é sol ou água que cai do céu
Mas a tristeza me invade de modo cruel
E não consigo distinguir seu papel.
Mas a alegria também me invade o dia inteiro
E o riso também é meu companheiro
Rio por não saber nada ao certo.
Quando o céu está de nuvens coberto,
E as nuvens despencam água no chão
Minha vestes ficam molhadas
Mas seco fica meu coração
E então acaba a trovoada
E um raio de sol traz brilho
Daí choro sorrindo
Porque a luz do sol voltou
Mas o céu ainda não está limpo.
Estou feliz que esteja chovendo
Desde que não chova dentro de mim
Estou feliz por estar triste
Desde que essa tristeza tenha fim.

segunda-feira, 1 de março de 2010

Depois de você

Depois que você passou por mim
Nunca houve mais ninguém
Nem senti mais nada assim
Que me fizesse pensar além

Depois de gravar o teu olhar
Só enxergo nos outros os olhos
E nenhum deles tem a profundidade
Que havia naquele seu olhar

Depois de sentir seu cheiro
As flores não contêm aroma algum
E a suavidade do cheiro de sua pele
Não encontrei em perfume algum

Depois de receber seu sorriso
Nenhuma palavra que provoque riso
Fez com que eu sentisse a alegria
Que o seu sorriso me trazia

Depois do momento da despedida
Tudo mudou em minha vida
Perdi o sono ,perdi a razão
Mas nada mudou em meu coração.

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